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Cutucar o nariz aumenta a chance do desenvolvimento de Alzheimer?

Atualizado: 29 de abr. de 2023

Um estudo realizado em uma universidade da Austrália e publicado na revista científica Nature, com grande divulgação em mídia aberta, correlacionou o aparecimento da doença de Alzheimer com o hábito de cutucar o nariz. Isso aconteceria por que a bactéria Chlamydia pneumoniae, poderia passar do nariz para o sistema nervoso central através de fibras do nervo olfatório. Por sua vez, essa bactéria poderia estar relacionada com a maior produção de uma proteína, chamada de beta amiloide, que está presente no sistema nervoso central de alguns pacientes com a doença de Alzheimer. Esse artigo é realmente alarmante?


Vejamos bem, vale ressaltar que esse estudo experimental foi realizado em camundongos, e que apesar de levantar essa hipótese, ainda não temos certeza de nada.


Cutucar o nariz é um hábito bastante anti higiênico e que pode gerar sensação de ojeriza às pessoas em volta. A manipulação excessiva do nariz pode causar traumas e lesões na mucosa respiratória aumentando a produção de crostas e levando a lesões persistentes. Existem pacientes que manipulam o nariz obsessivamente, que além de gerar uma ferida na mucosa nasal de difícil tratamento, podem estar sofrendo de um transtorno psiquiátrico e merecem avaliação e tratamentos adequados.


Os desvios de septo nasal mais anteriores, são uma causa frequente de aumento da produção de crostas nasais. Isso acontece pelo fluxo de ar turbulento gerado pela alteração anatômica. A presença de doenças inflamatórias ou infecciosas como as sinusites crônicas e as rinites também podem facilitar a formação das famosas catotas.


Além disso, o uso de substâncias irritativas, como a cocaína, também são causas frequentes de lesão ulcerativa na mucosa nasal aumentando o aparecimento dessas, incômodas, casquinhas.



Mas também existem diversas formas de melhorar essa situação. Uma delas é aumentar a hidratação, isto é, tomar bastante água, deixando a mucosa mais hidratada e saudável. A lavagem nasal com soro fisiológico, de forma frequente, também alivia bastante esses sintomas. Também existem substâncias em gel que podem ser aplicadas na região anterior do nariz aumentando a unidade local por mais tempo e diminuindo a produção dessas melecas. Em casos específicos, também podemos usar pomadas cicatrizantes e com antibióticos ajudando no tratamento das feridas, caso elas estejam presentes.

Por fim, existindo ou não relação com o desenvolvimento futuro da doença do Alzheimer, não devemos ficar manipulando nosso nariz de forma inadvertida.


Se você produz muita meleca, catotas ou casquinhas nasais, não deixe de procurar o seu médico otorrino para receber o tratamento correto. Podemos ajudar com isso. Conte comigo.

Bruno Rossini, médico otorrinolaringologista- CRM SP 115 697.

Clínica Oto One de otorrinolaringologia, São Paulo.


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